Dormimos muito pouco tentando conciliar a minha atividade profissional junto a algumas universidades americanas, com as visitas a mais de uma dezena de observatórios. Conseguimos acompanhar o trabalho observacional de alguns astrônomos nos grandes telescópios. Para alcançar o nosso objetivo, dirigimos 5.133 quilômetros nos 14 dias que se sucederam à Texas Star Party, o que foi extremamente cansativo. A seguir tentarei descrever sucintamente as atividades relacionadas à astronomia.
Texas Star Party (TSP 2001)

Aluguel do Telescópio Otto Struve de 2.1 metros
Formamos
um grupo de 17 astrônomos e alugamos o telescópio Otto Struve
do McDonald Observatory por uma noite inteira! Foi uma noite inesquecível...
Este gigante já foi o segundo maior telescópio do mundo e
hoje é provavelmente um dos poucos telescópios profissionais
que ainda aceitam uma ocular. A mais utilizada foi a de 32 mm, nos proporcionando
um aumento de 891x com um campo de 10 minutos de arco. Trabalharam para
nós um astrônomo e dois operadores. Transcrevo abaixo as minhas
anotações dos objetos que observamos visualmente:
NGC 3242, Ghost of Jupiter em Hya: indescritivelmente
linda com o disco interior azul/verde e o disco exterior completo, além
de dois nós e da estrela central bem brilhante.
Gamma Leo: pareciam mais dois farois de carro.
QSO 0957+561, Quasar Duplo em UMa: com z=1,4, os seus
fótons viajaram aproximadamente 9 bilhões de anos-luz; componentes
bastante brilhantes e separados com visão direta, pareciam estrelas
comuns; foi o primeiro caso de lente gravitacional descoberto em 1979.
Copeland's Septet em Leo: 8 galáxias preenchendo o campo,
facilmente visíveis com visão direta.
NGC 4089, 91-93, 95 e 98 em Com: 5 galáxias num campo
de poucos minutos de arco, nunca havíamos observado este bonito
aglomerado antes.
Antennae Galaxies em Crv: apesar de a termos visto quase todas
as noites no Chile, no telescópio de 2,1 metros eram tão
inacreditáveis como vemos nas fotos do Hubble! só que sem
cor; fiquei preso à ocular por quase dois minutos e foi difícil
sair para dar lugar ao colega seguinte; devo confessar que retornei ao
final da fila e observei novamente por mais um bom tempo; havia nebulosidade
ao longo do "loop" tomando quase que todo o campo, no formato de duas argolas
de uma corrente.
NGC 4361 em Crv: nebulosa planetária grande e brilhante,
estrela central fácil com visão direta; a esta altura, concluí
que tudo seria inacreditável e tentei parar de me espantar.
Sombrero Galaxy: o campo da ocular só comportou a região
central de M104, a faixa central escura era realmente negra e bem definida,
contrastando com o intenso brilho da galáxia; o núcleo apesar
de não estrelar, lembrava Sírius visto num telescópio
de 25 cm e chegava a ofuscar.
NGC 4565 em Com: muito brilhante, com núcleo tão
reluzente quanto o de M104.
AGC 1656, Coma Galaxy Cluster: 16 galáxias no
campo com visão direta.
M64: enorme faixa escura, larga e oblonga, muito brilhante e
grande.
M51: não cabia dentro do campo da ocular, um pouco menos
rica em detalhes que a foto da capa da S&T de abril de 2001 e sem cor,
uma visão para nunca ser esquecida...
M3: apenas o núcleo desta globular cabia no campo da
ocular, totalmente resolvível, apesar da leve granularidade causada
por estrelas bem fracas.
NGC 6027, Seyfert's Sextet em Ser: o mais compacto entre
os 100 grupos catalogados por Paul Hickson; 6 galáxias com visão
direta; 2 delas marcadamente mais brilhantes, exatamente aquelas que conseguimos
observar no telescópio de 25 cm como pequenas manchas.
NGC 6058 em Her: nebulosa planetária grande e bastante
brilhante, assim como a sua estrela central; circular, com a camada externa
mais brilhante que as outras.
NGC 6369 em Oph: estrela central bem brilhante, lembra M57 observada
com 300x nos nossos "minúsculos" telescópios de 25 cm.
M2-9, Minkowski's Butterfly em Oph: nebulosa planetária
bipolar pequena e bem estreita com três componentes, estrela central
bem brilhante, um lado da "asa" mais brilhante que o outro, as suas cores
tão conhecidas das fotos do Hubble não foram detectadas.
NGC 6543 em Dra: nebulosa planetária Olho do Gato,
parecia muito mais brilhante que nas fotos!; completamente luminosa, lembrando
um saco de leite opaco, com uma das extremidades apresentando pequena reentrância
pouco menos brilhante em forma de V invertido; estrela central bastante
brilhante.
M57, Nebulosa do Anel: simplesmente gigantesca com 891x;
pela primeira vez conseguimos observar a estrela central, ridiculamente
fácil; ocupando mais de metade do campo, o contraste entre a parte
exterior bem escura por não pertencer à nebulosa, e as camadas
interna e externa dela com dois graus de luminosidade distintos era impressionante,
sendo que a camada externa era alongada e mais fraca em um dos lados.
NGC 6537 em Sgr: nebulosa planetária bipolar Aranha
Vermelha, com a sua região central brilhante, porém as
quatro pernas da aranha foram visualizadas com dificuldade apenas com visão
periférica ou "averted vision"; não conseguimos observar
a estrela central de magnitude 19,5 devido a falta de contraste com a própria
nebulosa.
Marte: infelizmente e como já era esperado, um refletor
de 2.1 metros não foi feito para observar planetas; tudo que vi
foi uma bola vermelha dançando na minha frente, até a calota
polar estava difícil de se distinguir; experimentei pela buscadora
de 10 cm e estava melhor, mas não tanto quanto conseguimos observar
daqui do Brasil; lá Marte está baixo no horizonte durante
esta aparição.
McDonald Observatory
Visita
técnica às instalações dos telescópios
pertencentes à Universidade do Texas at Austin:
HET (Hobby-Eberly Telescope) de 11,0 metros, feito de 91 segmentos
idênticos que proporcionam uma área efetiva de 9,2 metros,
é o terceiro maior telescópio do mundo. Técnicas de
construção e um projeto inovador permitiram que este telescópio
fosse construído por apenas 13,5 milhões de dólares,
cerca de 16% do custo de um dos telescópios Keck, pois a maioria
dos componentes do HET (exceto instrumentos) são encontrados comercialmente.
À noite vemos o seu feixe de laser verde sendo utilizado dez minutos
a cada hora, para ajustar os 91 segmentos através de três
atuadores em cada, compensando os efeitos do "seeing" e temperatura com
uma precisão da ordem de dezenas de nanometros.

Harlan Smith Telescope de 2,7 metros, foi usado pela NASA na
preparação das missões Voyager.
Otto Struve Telescope de 2,1 metros, é o que alugamos
por uma noite para nossas observações. Este telescópio
tem qualidade ótica superior ao Harlan Smith de 2,7 metros para
observações visuais. Ambos estão
situados no Mt. Locke, um pouco afastado do Mt. Fowlkes onde está
localizado o HET. A imagem dos objetos que tivemos o privilégio
de observar através do Otto Struve jamais sairão das nossas
memórias...
Observamos também o Sol em um Meade 16” LX-200 que estava disponível
para os visitantes.
VLBA Station do Texas
Radiotelescópio
de 27 metros pertencente à Very Long Baseline Array, grupo
de 10 radiotelescópios idênticos que desde 1993 se estendem
por mais de 8 mil quilômetros, desde o Havaí até a
ilha de St. Croix no Caribe. Cada um deles pesa 240 toneladas e tem a altura
de um prédio de 10 andares. Embora operados remotamente pela Internet
do centro de contrôle localizado em New Mexico, tivemos a sorte de
termos como guias os técnicos da manutenção semanal
que lá estavam presentes.
Já no estado do Novo México, chegamos no meio da tarde e apesar dos 2800 metros de altitude, não fazia frio. Visitamos:



Evans Solar Facility, com um coronógrafo de 16" e um celostato
de 12".
Hilltop
Dome, onde uma foto do Sol é tirada a cada minuto ao longo do
dia, em visível e em 6563 Angstroms, servindo como arquivo para
qualquer evento solar que seja descoberto posteriormente pelo Dunn Telescope
ou pelos equipamentos do Evans.
Grain Bin Dome, abrigou o primeiro telescópio do NSO desde
1950 até 1963. Desde 1995 tem sido utilizado para observações
noturnas de residentes das proximidades.
Apache Point Observatory
ARC (Astrophysical Research Consortium) Telescope de 3,5 metros,
à esquerda. Com um design leve e inovador, já foi utilizado
para rastrear misseis. É utilizado na maior parte do tempo via Internet,
apesar de que durante a nossa visita o usuário estava presente.
Tratava-se de um astrônomo irlandês que havia conseguido 3
noites e meia para a sua pesquisa na área de formação
estrelar. O ARC também dá apoio a algumas observações
de quasares mais distantes descobertos pelo SDSS abaixo.
SDSS
(Sloan Digital Sky Survey) Telescope de 2.5 metros. Está conduzindo
o conhecido mapeamento tridimensional do Universo e já descobriu
26 dos 30 quasares mais distantes hoje conhecidos, inclusive os dois mais
distantes com z = 6,0 e 6,2. Pretende mapear em detalhe 25%
do céu e medir as distancias de mais de um milhão de galáxias
e quasares. Tem como seu auxiliar um pequeno telescópio de 51 cm,
onde uma segunda astrônoma australiana estava monitorando continuamente
o brilho e transparência do céu.
New Mexico State University Telescope de 1,0 metro. Utiliza os
conceitos inovadores do ARC de 3,5 m e 50% do tempo é operado desde
o campus da Universidade por alunos de pós-graduação.
NASA Orbital Debris Observatory
Hospeda
o Liquid Mirror Telescope de mercúrio com 3,0 metros. O espelho
gira a 10 r.p.m. e consiste de 14 litros de mercúrio, formando uma
camada de 1,6 mm de espessura. Este é atualmente o 17º maior
telescópio do mundo. Tivemos o privilegio de passar uma noite acompanhando
o trabalho do astrônomo que está lá permanentemente
desde a sua criação. Para chegarmos tivemos que passar por
varias estradas sem sinalização e como o por do Sol se aproximava,
ficamos preocupados em não conseguirmos chegar a tempo de ver o
espelho de perto, pois as observações estavam programadas
para começar bem antes do twilight astronômico. Eis que repentinamente
surgiu a cúpula no meio da floresta que ainda é habitada
por ursos. O local está praticamente escondido do publico e para
nossa surpresa, o astrônomo veio pessoalmente abrir o portão
a uns 200 metros do prédio! Passamos apenas alguns minutos junto
do espelho devido à alta toxidade do mercúrio e subimos para
visitar as outras instalações do observatório. À
noite acompanhamos
atentamente
cada passo das observações, que nos era explicado em detalhes.
Jamais esperei sermos recebidos com tamanha hospitalidade. Passamos a primeira
metade da noite observando aglomerados de galáxias e quasares com
z = 0,5, ou seja, cujos fótons viajaram 5 bilhões de anos-luz,
como parte do projeto de Paul Hickson no mapeamento de grandes estruturas
do Universo; naquela época os braços espirais das galáxias
eram menos desenvolvidos e mais caóticos, e espirais barradas eram
mais raras. Na segunda metade da noite, o fantástico espelho de
mercúrio foi utilizado para acompanhamento de destroços de
naves que orbitam a Terra, utilizando uma câmera filmadora (30 quadros/seg.)
com intensificador de imagem. Destroços de até 1 cm de diâmetro
podem ser detectados desta forma (radares detectam objetos maiores que
10 cm), a um custo de quase 1/20 do que seria investido em um telescópio
tradicional.



LINEAR
Situado dentro de uma base militar no meio do deserto do Novo México,
fotografias são proibidas num raio de mais de um quilômetro.
O Lincoln Near Earth Asteroid Research tem sido o grande descobridor
de asteróides e cometas, apesar de construído originalmente
para rastrear satélites em orbita terrestre. Conta com dois telescópios
de 1,0 metro. Desde março de 1998 (até 5 de janeiro de 2003)
já descobriu 100 cometas e mais de 160 mil asteróides, dos
quais quase mil são NEOs. Estima-se que existam aproximadamente
1.250 asteróides com pelo menos 1 quilometro de diâmetro e
com alguma chance de se chocar com a Terra. Para catalogar 90% do total
destes, o LINEAR deverá levar mais 40 anos de busca.
National Radio Astronomy Observatory



O VLA (Very Large Array) popularizado no filme Contacto,
consiste em 27 radiotelescópios de 25 metros cada e está
em operação desde 1980. Já descobriu água no
planeta Mercurio, micro-quasars em nossa Galaxia, e aneis de Einstein induzidos
gravitacionalmente ao redor de galaxias distantes. Foi impressionante vermos
todas aquelas antenas gigantescas se movendo simultaneamente, inicialmente
desordenadas e em varias
direções
diferentes, para finalmente pararem apontando exatamente para a mesma direção
no céu. As antenas podem estar dispostas em quatro configurações
diferentes, se deslocando sobre trilhos e ocupando uma extensão
desde 1 Km até 36 Km, a depender da resolução e do
campo de visão com que se queira trabalhar. Na foto à esquerda,
uma das antenas sendo submetida a manutenção periódica.
Existem planos para nove antenas que serão conectadas às
já existentes, vindo a formar o que será conhecido como “Expanded
VLA”.
Realizamos nossa visita dois dias após Brian Skiff (astrônomo do Lowell desde os anos 80) ter descoberto o seu quinto cometa em apenas 3 anos. No entanto, a simplicidade é tanta que ele sequer tocou no assunto; parecia não haver acontecido nada fora do comum. O LONEOS, Lowell Observatory Near Earth Object Search, já descobriu 23 cometas desde 1998 (até 17 de setembro de 2002), sendo que duas das descobertas foram realizadas por Brian Skiff no espaço de apenas dois dias!

Refrator
Clark de 61 cm construído em 1894, com o qual Lowell observou
os "canais" de Marte. Esta jóia ótica foi também utilizada
nos anos 60 pela NASA para mapear a superfície da Lua (na verdade
desenhar, pois observadores visuais percebem mais detalhes do que podemos
ver nas fotos) para as missões Apollo. Tanto a cúpula quanto
o piso foram feitos de madeira de pinho, do tipo que se vê em uma
antiga casa no estilo Vitoriano. Para o caso de incêndio havia uma
ferramenta (que nunca precisou ser utilizada) feita para remover rapidamente
a lente e célula do telescópio que seria invertido em poucos
segundos. Acoplados ao grande telescópio estão três
outros refratores Clark: um de 30 cm, um outro menor e uma buscadora. Próximo
à entrada da cúpula do Clark, está o tumulo de Percival
Lowell, sobre o qual alguns astrônomos do observatório costumam
brindar eventualmente as suas descobertas.
Astrógrafo Plutão de 33 cm com o qual o planeta
foi descoberto.
Telescópio Lowell de 53 cm, estava sendo utilizado para
fotometria de algumas estrelas de comparação para BM Sco,
a variável vermelha em Messier 6.
Barringer Meteor Crater
Visitamos
pela primeira vez. Aqui foram treinados os astronautas das missões
Apollo à Lua. Nos anos 60, a tese de Ph.D. de Eugene Shoemaker chocou
o mundo ao determinar que a cratera havia sido formada como resultado do
impacto de um objeto interplanetario 50 mil anos atrás. Embora com
mais de 1.200 metros de diametro e 200 metros de profundidade, há
uma ilusão que nos faz achar a cratera pequena a princípio,
chegando até mesmo a decepcionar. Entretanto, só pelo fato
de necessitarmos de uma luneta para conseguirmos ver uma figura de astronauta
em tamanho natural localizado no meio da cratera, percebemos as suas verdadeiras
dimensões e nos damos conta do perigo real de um impacto. A cratera
pertence à família Barringer que a explora comercialmente
cobrando 10 dólares por visita (!), já que o governo do Arizona
se recusou a comprá-la no passado, justificando que o Grand Canyon
já era suficiente como atração turística.
Kitt Peak

Abriga
uma "fazenda" de 24 telescópios pertencentes a onze observatórios
diferentes. Passamos sete horas visitando os seguintes:
Na foto à esquerda vemos a cúpula do Telescópio
Mayall de 4,0 metros, pertencente ao próprio Kitt Peak National
Observatory. De estrutura bastante alta, aparenta abrigar um espelho bem
maior, se comparado aos observatórios visitados em Apache Point.
Na foto à direita, a cúpula do WIYN (Wisconsin,
Indiana and Yale University & NOAO) Telescope de 3,5 metros.

McMath-Pierce
Solar Telescope, o maior telescópio solar do mundo. O heliostato
principal tem 2,0 metros de diâmetro, os outros dois auxiliares tem
90 cm cada. É simplesmente gigantesco, surpreende tanto internamente
pelas suas dimensões quanto externamente pela sua beleza. No momento
da nossa visita estava trabalhando um astrônomo, que apesar de idoso
e já aposentado, observava de pé o tempo todo e sem operadores
ou auxiliares.

Telescópio de 2,1 metros pertencente ao Kitt Peak National
Observatory. Impressiona a versatilidade com que se acoplam a ele as 4
câmeras/espectrômetros que trabalham tanto no visual quanto
no infravermelho. Anexo a este está um outro telescópio de
90 cm, utilizado como "Coudé Feed", que pode ser visto na extrema
esquerda da foto maior.




Na
foto da esquerda, os dois Spacewatch Telescopes utilizados na busca
de asteróides e cometas. Em primeiro plano está a cúpula
do moderno telescópio de 1,8 metros, estando ao fundo a cúpula
do mais antigo de 90 cm, o pioneiro na descoberta de cometas com CCD. Desde
1991 o Spacewatch já descobriu 19 cometas (até 10 de janeiro
de 2003).
Na foto da direita vemos o Bok Reflector de 2,3 metros pertencente
ao Steward Observatory, Universidade do Arizona.
SARA (Southeastern Association for Research in Astronomy) Telescope
de 90 cm.
Solar Vacuum Telescope de 70 cm.
WHAM (Wiscosin Hydrogen Alpha Mapping) Telescope de 60 cm.
NRAO, um pouco abaixo na mesma montanha. Visitamos o radiotelescópio
de 25 metros idêntico ao que está no Texas e faz parte
da VLBA e o Millimeter-Wave Radio-Telescope de 12 metros.
Um pouco mais adiante estão o Hiltner Telescope de 2,4
metros e o McGraw Hill Telescope de 1,3 metros, ambos pertencentes
ao MDM Observatory (Michigan Dartmouth & MIT). Interessante notar que
em Kitt Peak há um observatório privado com um telescópio
de 1,2 metros, ao qual não tivemos acesso. Pertence a um milionário
que tem Ph.D. em astronomia.
Whipple Observatory
A grande emoção, além de conhecer esses enormes telescópios, é a experiencia de chegar até eles através das montanhas em antigo território indígena onde estão localizados. À medida que vamos subindo e aprofundando o nosso contato com a floresta e a natureza, temos a impressão de estarmos mais próximos do céu. Aqui em Mt. Hopkins visitamos os seguintes telescópios:


Optical Gamma-ray Telescope de 10 metros, detecta radiação
Cherenkov, flash azul que dura alguns bilionésimos de segundo e
é resultado do choque de raios gama (e cósmicos) de altíssima
energia com a atmosfera. Detectou a primeira fonte galáctica de
raios gama em Messier 1 em 1989 e a primeira fonte extragaláctica
em Markarian 421 em 1992. Até hoje permanece sendo o maior telescópio
de raios gama do mundo.

Na
foto à esquerda, o 2MASS (Two Micron All Sky Survey) de 1,3
metros, em primeiro plano. Completou recentemente o seu programa de mapeamento
do céu no infravermelho, iniciado em 1997. Ao fundo, as cúpulas
dos telescópios do FLWO (Fred Lawrence Whipple Observatory)
de 1,5 metros e 1,2 metros. Na foto da direita, um dos telescópios
FLWO com instrumentos conectados.
IOTA (Infrared Optical Telescope Array) Telescopes, consiste
em três instrumentos de 45 cm separados por 38 metros; tem sido utilizado
em conjunto com o Keck I em Mauna Kea.



Visita técnica de um dia inteiro, com um almoço incrível para 43 pessoas no interior da cúpula do Telescópio Hale de 5,1 metros. O espelho gigantesco havia sido recém-aluminizado e foi totalmente lacrado para que os gazes dos alimentos não o alcançassem. O nosso churrasco foi preparado fora da cúpula e trazido para dentro posteriormente. Tivemos uma tarde de palestras de cada cientista do Observatório, preparadas especialmente para os participantes do Congresso da AAS. O Telescópio Hale, que foi o maior do mundo entre 1948 e 1975, atualmente está preparado para fotografar GRBs com um aviso prévio de apenas 15 minutos, ocasião na qual qualquer trabalho que esteja sendo executado será interrompido. Além disto está sendo utilizado também para espectroscopia de asteróides do Cinturão de Kuiper.
PTI (Palomar Testbed Interferometer) é formado por três
telescópios de 50 cm separados por 110 metros, tendo a capacidade
de separar estrelas duplas com até 25 milissegundos de arco. Está
testando tecnologia e conceitos que serão utilizados nas missões
espaciais StarLight e SIM (ver JPL / NASA abaixo).
Oschin Schmidt Telescope de 1,2 metros, foi utilizado na década
de 50 para fazer o "POSS" com placas fotográficas de 6,6 graus de
arco. Atualmente é utilizado exclusivamente na busca de NEOs (asteróides
e cometas) e mais conhecido como NEAT/Palomar (Near-Earth Asteroid Tracking),
juntamente com outro telescópio de 1,2 metros, o NEAT/MSSS no Maui
Space Surveillance Site, Havaí. O NEAT já descobriu 29 cometas
desde março de 1996 (até 7 de dezembro de 2002).
Mt. Wilson
Aqui outra surpresa nos esperava: o Observatório foi fechado apenas para 70 dos participantes do Congresso da AAS, onde assistimos a três curtas apresentações do diretor e cientistas residentes. Estes estiveram disponíveis durante todo o dia, nos servindo de guia e nos dando acesso irrestrito às instalações de todos os telescópios!



Telescópio do Projeto HK de 1,5 metros, usado há quase 30 anos exclusivamente para monitorar a atividade cromosférica de uma enormidade de estrelas frias semelhantes ao nosso Sol.
TIE
(Telescopes In Education) de 61 cm (foto à esquerda) é utilizado
roboticamente por estudantes de segundo grau do mundo inteiro há
mais de cinco anos. Observamos proeminências no Sol com filtro Daystar
através da sua buscadora.
CHARA Array (Center for High Angular Resolution Astronomy) consiste
em 6 telescópios de 1,0 metro espalhados pela montanha, o que permite
15 configurações diferentes com uma resolução
equivalente a um espelho de até 354 metros de diâmetro. Este
é notadamente o grande orgulho dos cientistas do Mt. Wilson de hoje,
que nos mostravam entusiasmados o funcionamento do equipamento. Deverá
estar completamente operacional em 2002, quando será capaz de resolver
detalhes da ordem de 200 microssegundos de arco, tornando-se o mais potente
interferômetro do mundo em visível e infravermelho.
Torre Solar de 60 pés construída em 1907. É
parte de uma rede mundial que monitora heliosismologia, fenômeno
oscilatório de 296 segundos descoberto neste telescópio em
1960. Com este mesmo instrumento já havia sido descoberto o efeito
Zeeman dos campos magnéticos nas manchas solares em 1908, o que
motivou a construção de uma outra torre descrita abaixo.
Torre Solar de 150 pés (foto) completada em 1912 após
a sua lente de 30 cm f/150 ter sido entregue duas vezes com defeito de
fabricação. Foi a maior torre solar do mundo até 1962
com a construção do McMath-Pierce em Kitt Peak. Investiga
mudanças de longo prazo na atividade magnética do Sol.
JPL / NASA
O nosso grupo de 14 astrônomos foi permanentemente escoltado por
duas oficiais de segurança do JPL e fomos proibidos de tirar fotos.
Tivemos como nossos guias um cientista para cada laboratório visitado:
o cientista do projeto TPF, Charles Beichman, o diretor do programa Origins,
Harley Thronson, além de outros cientistas americanos, um francês,
um alemão e um indiano dos quais não me recordo os nomes.
Realizamos visita técnica a alguns dos laboratórios onde
estão sendo testados os conceitos a serem aplicados nos futuros
observatórios espaciais com lançamentos previstos entre os
anos de 2005 e 2020 (não se aplicando portanto ao SIRTF e SOFIA,
que deverão entrar em operação em 2003 e 2004 respectivamente):
StarLight
SIM, Space Interferometry Mission (2009)
JWST, James Webb Space Telescope (2009)
TPF, Terrestrial Planet Finder (entre 2012 e 2015)
LF, Life Finder (entre 2015 e 2019)
PI, Planet Imager (entre 2016 e 2020)
198º American Astronomical Society Meeting
Acredito que vocês devam ter acompanhado pela TV, jornais e Internet as descobertas que foram amplamente divulgadas entre 3 e 7 de junho. Creio que nesta semana aprendi mais do que em anos de leitura e estudo. Foram mais de 800 apresentações e 1300 participantes, se alguém se interessar por algum tópico específico favor entrar em contacto.
Last changed 16 Jan 2003
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