Quando estou no Brasil, frequentemente reencontro ex-colegas e amigos que não via há décadas. Invariavelmente surge a mesma pergunta: “O que você tem feito?”. Como seria impossível explicar em poucos minutos uma trajetória de erros e acertos construída ao longo de muitos anos e em diferentes continentes, reuni aqui, de forma breve e atualizada, alguns dos principais marcos dessa jornada.

Minha trajetória internacional começou em 1980, quando me tornei o primeiro aluno de Engenharia Elétrica da UFBA, desde a criação do curso em 1941, a ser contratado por uma empresa estrangeira para trabalhar fora do Brasil. No mesmo ano, fui também o primeiro engenheiro brasileiro - fora os formados pelo ITA - contratado no país pela Schlumberger, líder mundial em tecnologia para a indústria do petróleo. Pouco depois, fui convidado pela empresa a atuar profissionalmente fora da América Latina, tornando-me o primeiro brasileiro a ocupar essa posição.

Entre 1980 e 2019, desenvolvi atividades profissionais em 137 países e seis continentes, acumulando uma experiência verdadeiramente global. Ao final da década de 1980, já era fluente em nove idiomas, ferramenta indispensável para viver e trabalhar em culturas tão diversas.

Em 1981, tornei-me um dos dois primeiros brasileiros a residir nos Emirados Árabes Unidos fora do corpo diplomático. Entre 1981 e 1984, trabalhei no maior e mais moderno escritório da Schlumberger, reservado a engenheiros com potencial ilimitado. Também recebi formação técnica e gerencial em outros centros internacionais.

Em 1983, sendo ainda um jovem de 27 anos, fui convidado a ter minha biografia incluída no Who’s Who in the World, publicação que registra personalidades de destaque em diversas áreas do conhecimento. Minha biografia foi publicada anualmente no Who's Who in the World entre 1996 e 2021. A partir de 1996, também passei a constar no Who's Who in Science and Engineering, onde permaneci listado por 14 anos consecutivos.

Ao longo da carreira, optei diversas vezes por seguir caminhos independentes e explorar novos desafios, declinando convites importantes - entre eles o da própria Schlumberger para cursar o M.Sc. em Engenharia de Petróleo na Heriot-Watt University, na Escócia, com o objetivo de preparar-me para tornar-me o primeiro brasileiro a ocupar a presidência da empresa no Brasil. O cargo somente viria a ser ocupado por um brasileiro 23 anos depois.

Outro convite marcante ocorreu em 1986, quando, como aluno de Peter Drucker, fui convidado por ele a dirigir o maior centro de treinamento de administradores da América Latina.

Entre 1984 e 2019, participei como palestrante em processos de recrutamento em mais de 200 universidades de prestígio mundial. Ao longo desse período, também me tornei membro titular de 16 sociedades científicas na Europa e nos Estados Unidos, algumas das quais admitem novos membros apenas mediante convite.

Em 1996, fui convidado a integrar o Explorers Club, em Nova York - tornando-me o primeiro brasileiro a receber esse convite. A instituição histórica reúne os maiores exploradores do planeta, desde os primeiros visitantes dos Polos Norte e Sul, do Monte Everest, da Fossa das Marianas, até os astronautas que pisaram na Lua.

Paralelamente à carreira profissional, desenvolvi intensa atividade científica e exploratória. Em 2001, tornei-me o primeiro astrônomo amador a observar os 400 objetos do catálogo Herschel 400 a partir do Hemisfério Sul. No ano seguinte descobri um cometa, tornando-me o primeiro cientista brasileiro nato a realizar esse feito histórico.

Entre 2011 e 2014 estabeleci três recordes mundiais não publicados relacionados ao mergulho em águas profundas e à aviação, incluindo número de países mergulhados, cartões de embarque acumulados e companhias aéreas utilizadas.

O ápice da minha trajetória como explorador ocorreu em 2012, quando tornei-me o primeiro brasileiro, sul-americano e latino-americano a visitar todos os países do mundo, uma conquista alcançada até então por apenas 72 pessoas em toda a história da humanidade.

Ao longo de 33 anos, essa jornada monumental construiu um legado extraordinário, equivalente a mais de 114 voltas ao redor do planeta, a travessia de 263 fronteiras terrestres e 152 cruzamentos da Linha do Equador, além das visitas a todos os estados ou províncias do Brasil, Estados Unidos, China, Índia, México, Canadá, Argentina, França, Suíça, Itália, Espanha, Alemanha e África do Sul.

Ao longo dos anos, essa trajetória foi reconhecida por diversas instituições internacionais dedicadas à exploração e às viagens. Em 2013, fui classificado como o 7º maior viajante do mundo pelo Traveler’s Exploits Club. Em 2016, uma entrevista de 26 páginas sobre minha experiência foi publicada no livro Chasing 193 Vol. 2, referência internacional sobre os maiores viajantes do planeta. Nesse mesmo período, fui incluído entre os sete “Magníficos Viajantes do Mundo” pelo clube The Best Traveled, e classificado na 4ª colocação no ranking 20 Best Travelers of the World.

Em 2017, fui eleito o 24º World’s Greatest Globetrotter pelo site GreatestGlobetrotters.com e incluído entre os 33 World Top Travellers pelo Travellers’ 133 Club da Polônia.

Esses marcos representam apenas alguns momentos de uma vida dedicada à descoberta geográfica e humana, à exploração do planeta e à busca permanente pelo desconhecido - uma jornada de décadas que constrói uma trajetória singular, unindo ciência, exploração e experiência global.

Paulo Mansur Raymundo


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Last updated 15 Mar 2026
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